Quando uma pessoa percebe um caroço no pescoço, é comum imaginar que talvez precise de uma cirurgia para
retirar aquela alteração.
Mas, quando o diagnóstico é linfoma, o raciocínio é diferente.
O tratamento do linfoma não é cirúrgico.
A cirurgia pode fazer parte da investigação, principalmente quando é necessária uma biópsia para confirmar o diagnóstico. Mas, depois que o linfoma é identificado, o tratamento é conduzido pelo hematologista ou onco-hematologista, médico responsável por doenças do sangue e do sistema linfático.
Em outras palavras: no linfoma, a cirurgia pode ajudar a descobrir exatamente o que está acontecendo. Mas ela não é o tratamento da doença.
Linfoma é um tipo de câncer que começa no sistema linfático, uma parte importante do sistema de defesa do organismo.
Esse sistema inclui os linfonodos, também conhecidos como gânglios, que estão presentes em várias regiões do corpo, como pescoço, axilas, virilha, tórax e abdômen.
Existem diferentes tipos de linfoma. De forma geral, eles são divididos em dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin. Essa diferenciação é importante porque o comportamento da doença, os exames necessários e o tratamento podem variar bastante.
Um dos sinais que podem levar à suspeita de linfoma é o aumento dos linfonodos.
Quando esses linfonodos aumentam, podem formar caroços ou “ínguas” em regiões como pescoço, axilas ou virilha. Em alguns casos, esses caroços são indolores e persistentes.
Outros sintomas também podem aparecer, como febre sem causa clara, suor noturno excessivo, cansaço, coceira na pele e perda de peso sem explicação. O INCA destaca que, na maioria das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas devem ser investigados quando persistem ou não melhoram.
Isso é importante porque nem todo caroço no pescoço é linfoma.
Linfonodos podem aumentar por infecções, inflamações, doenças benignas ou por outros tipos de câncer. Por isso, o primeiro passo não é presumir o diagnóstico. É investigar corretamente a causa.
O médico responsável pelo tratamento do linfoma é o hematologista ou onco-hematologista.
Isso acontece porque o linfoma é uma doença do sistema linfático e das células de defesa, e não um tumor localizado que se resolve apenas com a retirada de um gânglio.
Depois que o diagnóstico é confirmado, o hematologista avalia o tipo de linfoma, a extensão da doença, os exames complementares, as condições gerais do paciente e define o tratamento mais adequado. O tratamento do linfoma não Hodgkin é supervisionado por oncologista clínico ou hematologista, especialista em cânceres do sangue.
Dependendo do caso, o cuidado pode envolver outros profissionais, como oncologista clínico, radioterapeuta, patologista, radiologista, nutricionista, psicólogo e equipe de enfermagem.
O cirurgião de cabeça e pescoço pode entrar na investigação quando o linfonodo aumentado está localizado no pescoço ou quando há necessidade de obter material adequado para análise.
O papel do cirurgião, nesses casos, não é tratar o linfoma com cirurgia. Seu papel é ajudar no diagnóstico.
Isso pode acontecer quando existe um linfonodo persistente, aumentado, endurecido, de crescimento progressivo ou associado a outros sinais que exigem avaliação mais detalhada.
Durante a consulta, o cirurgião avalia o pescoço, examina a região de cabeça e pescoço, analisa exames já realizados e ajuda a definir se há necessidade de biópsia.
Para diagnosticar um linfoma, não basta apenas perceber que existe um linfonodo aumentado.
É necessário analisar o tecido suspeito em laboratório.
A biópsia permite identificar se aquele linfonodo realmente corresponde a um linfoma e, se for o caso, qual é o tipo da doença. Essa informação é fundamental, porque linfomas diferentes podem exigir tratamentos diferentes.
Em muitos casos, quando há suspeita de linfoma, pode ser necessário retirar um linfonodo inteiro ou parte dele. Esse procedimento ajuda o patologista a avaliar a estrutura do tecido e chegar a uma classificação mais precisa. O INCA descreve a biópsia excisional ou incisional como padrão de qualidade para o diagnóstico dos linfomas; a American Cancer Society também explica que esse tipo de biópsia costuma fornecer material suficiente para diagnosticar o tipo exato de linfoma.
Essa é uma diferença importante.
Em algumas alterações do pescoço, uma punção por agulha pode ajudar. Mas, na suspeita de linfoma, muitas vezes é preciso obter uma amostra maior de tecido.
Por isso, em alguns casos, o cirurgião de cabeça e pescoço é chamado para realizar a biópsia de um linfonodo cervical.
Não. O tratamento do linfoma não é feito pela retirada cirúrgica dos linfonodos.
A retirada de um linfonodo pode ser necessária para confirmar o diagnóstico, mas não resolve a doença. Depois que o linfoma é confirmado, o tratamento é definido pelo hematologista ou onco-hematologista.
De acordo com o tipo de linfoma e as características do paciente, o tratamento pode envolver quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, terapias-alvo, transplante de células-tronco ou, em alguns casos específicos, acompanhamento clínico antes de iniciar uma terapia. O INCA informa que a maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, associação de imunoterapia e quimioterapia, ou radioterapia; a American Cancer Society também descreve quimioterapia, imunoterapia, radioterapia e transplante como possibilidades terapêuticas, conforme o tipo de linfoma.
Por isso, é importante separar bem as duas etapas:
A cirurgia ajuda no diagnóstico.
O tratamento do linfoma é conduzido pelo hematologista.
Não. Existem linfomas de crescimento mais lento e linfomas de comportamento mais agressivo.
Depois que o diagnóstico é confirmado, é necessário classificar o tipo de linfoma e avaliar a extensão da doença. Essas informações ajudam a definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Em alguns casos, o tratamento começa rapidamente.
Em outros, especialmente em alguns linfomas de crescimento lento, pode haver indicação de acompanhamento antes de iniciar um tratamento específico, sempre conforme avaliação médica.
Por isso, duas pessoas com linfoma podem receber condutas completamente diferentes.
O nome “linfoma” é apenas o começo da investigação. O subtipo da doença, o estágio, os exames e as condições do paciente fazem muita diferença.
Alguns tipos de linfoma têm possibilidade de cura. Outros podem ser controlados por longos períodos.
A resposta depende do tipo de linfoma, do estágio da doença, da resposta ao tratamento, da idade, das condições gerais de saúde e de outros fatores avaliados pela equipe médica.
No linfoma de Hodgkin, por exemplo, o INCA destaca que houve grande avanço no tratamento nas últimas décadas, com altas taxas de cura em muitos casos.
Mas é importante evitar generalizações.
Para saber quais são as possibilidades em cada caso, é necessário ter o diagnóstico completo.
Nem todo caroço no pescoço é sinal de linfoma.
Muitos linfonodos aumentam por infecções ou inflamações e depois diminuem com o tempo.
Mas alguns sinais merecem atenção, especialmente quando o caroço:
Nesses casos, a avaliação médica ajuda a entender se o linfonodo pode ser apenas uma reação do organismo ou se precisa de exames complementares.
Quando existe suspeita de linfoma no pescoço, o cuidado pode envolver diferentes profissionais.
O cirurgião de cabeça e pescoço pode participar da avaliação inicial, da investigação de linfonodos cervicais e da realização da biópsia quando indicada.
O patologista analisa o material retirado e ajuda a confirmar o diagnóstico e o tipo de linfoma.
O hematologista ou onco-hematologista conduz o tratamento, define a estratégia terapêutica e acompanha a resposta do paciente.
Outros profissionais podem ser envolvidos conforme a necessidade, como radioterapeuta, oncologista clínico, radiologista, nutricionista, psicólogo e equipe de enfermagem.
Esse cuidado integrado é importante porque o linfoma não é tratado com uma decisão isolada.
O tratamento do linfoma não é cirúrgico.
Quando a cirurgia entra no cuidado, sua principal função é ajudar no diagnóstico, por meio da biópsia. Em alguns casos, pode ser necessário retirar um linfonodo inteiro ou parte dele para que o material seja analisado em laboratório e o tipo de linfoma seja identificado com precisão.
Depois da confirmação do diagnóstico, o tratamento é conduzido pelo hematologista ou onco-hematologista e pode envolver quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, terapias-alvo, transplante ou acompanhamento, dependendo do tipo de linfoma e das características de cada paciente.
Por isso, diante de um caroço persistente no pescoço, o mais importante não é presumir o diagnóstico nem esperar indefinidamente.
É investigar corretamente.
No linfoma, a cirurgia pode abrir caminho para o diagnóstico.
Mas o tratamento exige condução especializada, clínica e individualizada.
Dr. Ricardo Mai
Cirurgião de Cabeça e Pescoço