Descobrir um nódulo na tireoide costuma gerar muitas dúvidas. Uma das mais comuns é: quais sintomas esse nódulo pode causar?
A resposta é que, na maioria das vezes, os nódulos na tireoide não provocam sintomas. Muitos são descobertos durante exames de rotina, em um ultrassom solicitado por outro motivo ou durante uma avaliação médica do pescoço.
Mas, em alguns casos, dependendo do tamanho, da localização, do crescimento ou do funcionamento desse nódulo, alguns sinais podem aparecer.
Por isso, é importante entender que a presença ou ausência de sintomas não define, sozinha, a gravidade do caso.
A tireoide é uma glândula localizada na parte anterior do pescoço, responsável pela produção de hormônios importantes para o funcionamento do organismo.
Um nódulo na tireoide é uma alteração localizada dentro da glândula. Ele pode ser sólido, líquido, misto, único ou múltiplo.
A maioria dos nódulos tireoidianos é benigna e não causa sintomas. Ainda assim, todo nódulo precisa ser avaliado para entender suas características e definir se será necessário apenas acompanhar ou investigar melhor.
Não. Essa é uma das informações mais importantes para o paciente entender.
Muitos nódulos são pequenos, não comprimem estruturas próximas e não interferem no funcionamento da tireoide. Nesses casos, a pessoa pode não sentir absolutamente nada.
É comum que o nódulo seja descoberto por acaso em um exame de imagem, como o ultrassom, ou durante uma avaliação médica feita por outro motivo.
Por isso, não sentir sintomas não significa que o nódulo deva ser ignorado. E sentir sintomas também não significa, automaticamente, que o nódulo seja grave.
O diagnóstico depende do conjunto de informações: exame clínico, ultrassom, histórico do paciente, exames hormonais e, quando indicado, punção.
Os sintomas costumam aparecer principalmente quando o nódulo cresce, ocupa mais espaço ou comprime estruturas próximas, como a traqueia e o esôfago.
Nesses casos, alguns pacientes podem relatar:
A American Thyroid Association explica que nódulos grandes podem comprimir a traqueia ou o esôfago e causar dificuldade para respirar, dificuldade para engolir ou sensação de incômodo na garganta. A rouquidão é menos comum, mas precisa ser avaliada, especialmente quando persiste.
Pode acontecer, mas nem sempre essa sensação tem relação com a tireoide.
A sensação de “bolo” na garganta pode ter diferentes causas, como refluxo, tensão muscular, alterações na garganta, ansiedade, inflamações ou outros problemas.
Quando existe um nódulo maior ou uma tireoide aumentada, pode haver sensação de pressão ou desconforto na região anterior do pescoço.
Por isso, o sintoma precisa ser avaliado com cuidado. O ideal é não concluir sozinho que a sensação vem da tireoide, nem descartar essa possibilidade sem uma avaliação adequada.
Em alguns casos, sim. A rouquidão pode estar relacionada a várias causas, como uso excessivo da voz, infecções, refluxo, alterações na laringe ou problemas nas pregas vocais.
Mas quando a rouquidão é persistente, especialmente quando vem acompanhada de nódulo na tireoide ou alteração no pescoço, ela precisa ser investigada.
Isso acontece porque a tireoide fica próxima a estruturas importantes da voz. Alterações nessa região podem, em alguns casos, ter relação com mudança vocal.
O National Cancer Institute cita rouquidão, dificuldade para respirar, dor ao engolir e caroço no pescoço entre sinais que podem aparecer quando há crescimento de tumores da tireoide, embora esses sintomas também possam ter outras causas.
Pode, mas isso não é o mais comum. A dificuldade para respirar pode acontecer quando um nódulo grande, ou uma tireoide aumentada, comprime a traqueia.
Esse é um sinal que merece atenção, principalmente se houver piora progressiva, sensação de aperto no pescoço ou dificuldade para respirar em determinadas posições.
Nesses casos, a avaliação médica é importante para entender se há compressão de estruturas próximas e qual conduta deve ser adotada.
Alguns nódulos podem interferir no funcionamento da tireoide, mas isso não acontece na maioria dos casos.
Existem nódulos que produzem hormônios em excesso. Quando isso ocorre, o paciente pode apresentar sintomas relacionados ao hipertireoidismo, como:
Mas é importante reforçar: muitos pacientes com nódulo na tireoide têm exames hormonais normais. Por isso, a avaliação do nódulo costuma envolver tanto exames de sangue quanto ultrassom. Cada um observa uma dimensão diferente da tireoide.
Não necessariamente. Os exames de sangue ajudam a avaliar o funcionamento hormonal da tireoide. Já o ultrassom avalia a estrutura da glândula e as características do nódulo.
Por isso, uma pessoa pode ter TSH e hormônios tireoidianos normais e, ainda assim, precisar acompanhar ou investigar um nódulo visto no ultrassom.
Da mesma forma, uma alteração hormonal não significa, automaticamente, que o nódulo seja suspeito.
A análise precisa considerar o conjunto das informações.
Não. Ter sintomas não significa, necessariamente, câncer. Sintomas como incômodo ao engolir, pressão no pescoço, rouquidão ou sensação de bolo na garganta podem ter diferentes causas, muitas delas benignas.
Mas quando esses sinais persistem, pioram ou aparecem junto com um nódulo, eles merecem avaliação.
A ausência de sintomas também não elimina a necessidade de avaliar um nódulo, porque muitos nódulos importantes podem ser silenciosos.
O mais seguro é evitar dois extremos: não entrar em desespero, mas também não ignorar a alteração.
A avaliação é importante quando existe:
Esses sinais não significam, obrigatoriamente, que há algo grave, mas ajudam a indicar quando o caso precisa ser analisado com mais atenção.
A avaliação geralmente começa pela história clínica e pelo exame físico. Depois, o médico pode considerar exames como:
A punção, também chamada de PAAF, não é indicada para todos os nódulos. Ela pode ser solicitada quando o tamanho e as características do nódulo no ultrassom justificam uma investigação mais detalhada.
Em muitos casos, o acompanhamento periódico é suficiente. Em outros, a investigação precisa avançar.
Quando os sintomas aparecem, eles podem estar relacionados ao tamanho do nódulo, à compressão de estruturas próximas ou, em alguns casos, ao funcionamento hormonal da tireoide.
Sensação de pressão no pescoço, dificuldade para engolir, rouquidão, mudança na voz, dificuldade para respirar, palpitações, tremores ou perda de peso sem explicação são sinais que merecem avaliação quando persistem ou aparecem junto com um nódulo.
Mas é importante lembrar: sintoma isolado não fecha diagnóstico. O mais importante é avaliar cada caso com exame clínico, ultrassom, histórico do paciente e acompanhamento adequado.
Nem todo nódulo é grave, mas todo nódulo precisa ser bem avaliado.
Dr. Ricardo Mai
Cirurgião de Cabeça e Pescoço
CRM-ES 6808 | RQE 5393